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Nesse sentido, um aspecto fundamental da perspectiva de Vi- gotski, Leontiev e Elkonin é a historicidade. Vigotski (2001a, p.22)

criticava a tentativa da psicologia de encontrar características e leis

universalmente válidas para o desenvolvimento infantil e considera-

va inteiramente equivocado o ponto de vista das diversas vertentes

da psicologia vigentes em sua época que supunham equivalentes

e idênticos o funcionamento psíquico e a concepção de mundo de

“uma criança européia de família culta dos dias de hoje e uma crian-

ça de alguma tribo primitiva, [...] da criança da Idade da Pedra, da

Idade Média ou do século XX...”. Na análise do autor, a psicologia

tradicional estudava a criança e o desenvolvimento de suas funções

psíquicas in abstracto, isto é, à margem de seu meio social e cultural.

Assim, o desenvolvimento infantil não é determinado por leis

naturais universais, mas encontra-se intimamente ligado às condições

objetivas da organização social, o que aponta para a impossibilidade

de se estabelecer estágios do desenvolvimento psicológico que se

sucedam em uma ordem fixa e universal, válida para toda e qualquer

criança em todo e qualquer contexto e a qualquer tempo. Segundo

Leontiev (2001a, p.65-6 ), nem o conteúdo dos estágios nem sua se-

quência no tempo são universais e imutáveis, pois dependem das con-

dições históricas concretas nas quais se processa o desenvolvimento

da criança: “não é a idade da criança, enquanto tal, que determina

o conteúdo de estágio do desenvolvimento; os próprios limites de

idade de um estágio, pelo contrário, dependem de seu conteúdo e se

alteram pari passu com a mudança das condições histórico-sociais”.

De acordo com Leontiev (2001a) e Elkonin (1987b), é necessá-

rio considerar-se, na investigação do desenvolvimento infantil, o

vínculo entre criança e sociedade, ou o lugar que a criança ocupa no

sistema das relações sociais em um determinado momento histórico.

Na mesma direção, Vigotski (1996) afirma que a situação social de

desenvolvimento, ou seja, a relação que se estabelece entre a criança

e o meio que a rodeia (que é peculiar, específica, única e irrepetível

em cada idade ou estágio do desenvolvimento), é o ponto de partida

para todas as mudanças dinâmicas que se processarão no desenvol-

vimento durante uma determinada idade ou período​